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Empresários do litoral já colocaram R$ 17 milhões do próprio bolso em projeto de obra pública, e Porto Belo e Bombinhas estão na conta

É um arranjo que quase ninguém explica: a iniciativa privada banca o projeto, o poder público executa a obra. Vale entender como funciona, porque a Costa Esmeralda está dentro.

Em 30 segundos · Modo de Leitura, formato original Santa Informa

Institutos formados por empresários de cidades do litoral catarinense já somam mais de R$ 17 milhões aplicados em estudos técnicos e projetos de obras públicas.

Na Costa Esmeralda: Porto Belo com R$ 1 milhão, em molhes dos rios Perequê e Perequezinho e urbanização de vias. Bombinhas com R$ 320 mil, que destravaram cerca de R$ 20 milhões em pontes e acessos.

O maior é o Instituto + BC, de Balneário Camboriú, com R$ 10 milhões e cerca de 40 empresas associadas.

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EconomiaPublicada em Redação Santa Informa

Duas pessoas debruçadas sobre uma prancha com plantas de arquitetura abertas em cima da mesa, apontando detalhes do desenho técnico.
O dinheiro privado não paga a obra: paga o projeto que faz a obra existir no papel antes de existir na rua. Imagem ilustrativa · Angie Reyes/Pexels

Entenda o assunto

Existe um arranjo em funcionamento no litoral catarinense que quase nunca é explicado: grupos de empresários se juntam em institutos, pagam do próprio bolso o estudo técnico e o projeto de uma obra pública, e entregam o pacote pronto à prefeitura. Quem executa e paga a obra continua sendo o poder público.

Somando os institutos, já são mais de R$ 17 milhões aplicados dessa forma.

Quanto cada cidade colocou

Balneário Camboriú. Instituto + BC, cerca de 40 empresas associadas, R$ 10 milhões. Projetos de alargamento da Praia Central, reurbanização da orla e atualização do parque inundável, este último tendo viabilizado R$ 73 milhões em segurança hídrica.

Itajaí. Instituto Mais Itajaí, mais de 60 empresas, R$ 6 milhões. Terminal de Cruzeiros, ligação da BR-101 à Praia Brava, conexão do bairro Murta à Via Expressa e programa de habitação social.

Porto Belo. R$ 1 milhão, em molhes dos rios Perequê e Perequezinho e urbanização de vias.

Bombinhas. R$ 320 mil, que destravaram cerca de R$ 20 milhões para pontes e acessos.

Gaspar. Instituto + Gaspar, R$ 300 mil, no masterplan Gaspar 2035.

Por que projeto pronto vale tanto

Cidade pequena costuma perder verba estadual e federal não por falta de dinheiro disponível, mas por não ter projeto executivo na gaveta quando o edital abre. Projeto custa caro, demora e não aparece.

O caso de Bombinhas mostra a proporção: R$ 320 mil em projeto abriram caminho para cerca de R$ 20 milhões em obra. É a diferença entre estar pronto e ficar na fila.

O que ainda está em aberto. Não há informação pública sobre como se decide qual projeto entra na lista de cada instituto, nem sobre que critério separa interesse coletivo de interesse de quem financia. Também não se sabe se os projetos são doados sem contrapartida ou se há acordo formal com a prefeitura. Quem banca o projeto não executa a obra, mas ajuda a definir qual obra sai primeiro, e esse é o ponto que merece transparência.
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Os números que importam

Outros jeitos de ler

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O resumo de 30 segundos está no topo e a versão completa é o texto acima. Aqui ficam as três leituras da casa sobre o mesmo assunto.

Clara, a otimista

Projeto na gaveta é o que separa a cidade que pega verba da cidade que assiste. Empresário bancar esse custo destrava obra que travaria por anos.

E funciona: em Bombinhas, R$ 320 mil em projeto abriram cerca de R$ 20 milhões em ponte e acesso. Multiplicação dessa ordem em dinheiro público é rara.

Seu Prudêncio, o criterioso

Merece atenção a governança. Quem paga o projeto não executa a obra, o que é correto, mas influencia a fila de prioridade. Saber por que a obra A saiu antes da B é informação de interesse público.

Vale acompanhar também se o projeto doado passa por revisão técnica independente da prefeitura antes de virar licitação. Projeto vem de fora, e o município é que responde por ele depois.

Uma sugestão útil seria cada instituto publicar o critério de escolha e a lista completa do que financiou. Feita a ressalva, cobrir o custo de projeto executivo é gargalo real de município pequeno, e enfrentá-lo é acerto.

Caco, o sarcástico

Empresário pagando o projeto e a prefeitura executando. É o oposto do que todo mundo imagina quando ouve falar em parceria público-privada.

Bombinhas gastou R$ 320 mil e destravou R$ 20 milhões. Se rendesse assim na poupança, ninguém trabalhava.

E Balneário bancando projeto para alargar a praia. Itapema, do lado, resolveu alargar a dela também. Nunca subestime o poder da vizinhança.

Fontes: Levantamento publicado pela Revista Portuária em julho de 2026, com dados dos institutos Instituto + BC, Instituto Mais Itajaí e Instituto + Gaspar.

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