Itapema · TurismoTurista que veio a Itapema no verão gastou R$ 1.858 por dia em grupo, e 1 em cada 4 era argentino
O retrato do visitante que está no mesmo plano.
Os números estão no mesmo documento de 228 páginas que a Prefeitura lançou em 9 de setembro. A cidade recebe turista que em 65,7% dos casos fica em casa ou apartamento alugado, tem 717 imóveis ativos no Airbnb e mais de 2.100 opções listadas em plataformas de reserva. O registro no Cadastur, que é obrigatório por lei municipal desde 2024, alcança 27,68% dos meios de hospedagem. E o plano escreve, com essas palavras, que a brecha do ISS no aluguel por temporada gera evasão tributária.
Em 30 segundos · Modo de Leitura, formato original Santa Informa
O Plano Municipal de Turismo saiu em 9 de setembro.
Dentro dele tem o retrato da hospedagem da cidade.
717 imóveis ativos no Airbnb em maio de 2025.
Mais de 2.100 opções em sites de reserva.
A Secretaria de Turismo conta 11 hotéis e 15 pousadas.
Só 27,68% da hospedagem está no Cadastur.
O Cadastur é o cadastro federal do setor.
Em Itapema ele é obrigatório por lei desde 2024.
80,36% dos estabelecimentos são microempresas.
O plano fala do ISS do aluguel por temporada.
Diz que a incidência não está regulamentada.
E que isso gera evasão tributária.
O motivo é a Lei Complementar 116, de 2003.
Alugar imóvel puro não gera ISS.
Mas com limpeza, enxoval e recepção vira serviço.
Nas 55 fichas do plano, nenhuma trata disso.
A mais próxima é campanha para adesão ao Cadastur.
Ela está marcada como não iniciada.
EconomiaPublicada em Redação Santa Informa

Itapema tinha 717 imóveis ativos de aluguel por temporada no Airbnb em maio de 2025, e apenas 27,68% dos meios de hospedagem da cidade estão registrados no Cadastur. Os dois números não são de reportagem de fora. Eles estão no Plano Municipal de Turismo 2026 a 2030, o documento de 228 páginas que a Prefeitura lançou em 9 de setembro. Nós baixamos o arquivo e lemos. O plano cita a plataforma Toor Data, que é a mesma que a Secretaria de Turismo usa, e completa o retrato: 80,36% dos estabelecimentos de hospedagem da cidade são microempresas.
Pela conta da Secretaria de Turismo, balizada pelo Booking, Itapema tem 11 hotéis e 15 pousadas. Mas em plataformas como Hotels.com e Expedia aparecem mais de 2.100 opções de acomodação na cidade, entre apart-hotéis, flats, casas e apartamentos de temporada. A distância entre 26 e 2.100 é o assunto. O aluguel de temporada é o que a cidade mais vende: na pesquisa do último verão, 65,7% dos turistas ficaram em casa ou apartamento alugado, contra 23,4% em hotel ou pousada. Os imóveis estão concentrados em Meia Praia e Canto da Praia, e vão de quitinete a cobertura frente mar.
É o próprio plano que levanta a questão, e vale reproduzir o raciocínio dele. Pela Lei Complementar nº 116, de 2003, alugar um imóvel, sozinho, não gera ISS. Só que quando o anúncio inclui limpeza, troca de enxoval e recepção, a atividade se aproxima da hotelaria, e aí há interpretação divergente sobre cobrar ou não. O documento escreve que essa brecha dificulta a fiscalização e o enquadramento adequado, gerando insegurança jurídica e evasão tributária, e que a ausência de regra específica impede o pleno aproveitamento da arrecadação que poderia ser reinvestida na qualificação do destino. No fecho do diagnóstico, o plano é ainda mais direto: diz que formalizar e regulamentar o aluguel por temporada é crucial para aumentar a arrecadação.
Itapema não está sem norma nenhuma. A Lei nº 4.518, de 2024, tornou o Cadastur obrigatório no município, e a Lei Complementar nº 133, de 2024, regulamenta meios de hospedagem e flats. Existe ainda a Lei nº 2.241, de 2004, que dá incentivo fiscal para empresa hoteleira. O que o plano aponta é a distância entre a regra e o cadastro: a lei manda registrar, e menos de um terço da hospedagem está registrada. A recomendação do documento é juntar as normas espalhadas numa Lei Municipal Geral do Turismo, que também criaria um Fundo Municipal de Turismo.
O resumo de 30 segundos está no topo e a versão completa é o texto acima. Aqui ficam as três leituras da casa sobre o mesmo assunto.
Clara, a otimista
Tem uma coisa boa escondida nesse número feio. Se só 27,68% da hospedagem está cadastrada, quer dizer que existe quase três quartos do setor pronto para entrar no mapa, aparecer em campanha oficial, acessar linha de crédito e curso do Sebrae. O cadastro não é só cobrança, é porta de entrada.
E a cidade agora sabe o tamanho do que tem. Setecentos e dezessete imóveis de temporada não é mercado pequeno de fundo de quintal: é economia de verdade, feita na maioria por microempresa e por família da região. Organizar isso, com prazo e com ajuda, é bom para quem aluga também.
Seu Prudêncio, o criterioso
Merece atenção a origem do número. Os 27,68% vêm de uma plataforma privada, a Toor Data, citada dentro do plano, e o documento não mostra a base de cálculo nem o total absoluto de estabelecimentos. Percentual sem denominador é difícil de auditar. Vale a Prefeitura publicar a conta.
O segundo ponto é de execução. O diagnóstico usa a palavra evasão, que é palavra séria, e o plano de ação não traz ficha para o assunto. Diagnóstico sem ação correspondente costuma virar diagnóstico repetido na próxima revisão. A campanha de adesão ao Cadastur existe, é bem-vinda, mas está com status de não iniciada e campanha sozinha não resolve enquadramento tributário.
Uma sugestão útil: a Câmara e a Prefeitura tratarem isso junto com a Lei Municipal Geral do Turismo que o próprio plano recomenda, definindo com clareza quando a locação vira serviço. Regra clara protege os dois lados, o município e quem aluga de boa-fé. Dito isso, é preciso reconhecer o mérito: foi a Prefeitura que colocou esse número no papel, num documento público e baixável. Muita cidade não mede, e a que não mede nunca precisa explicar.
Caco, o sarcástico
A cidade tem 26 hotéis e pousadas na conta oficial e mais de 2.100 opções de hospedagem nos sites. Ou a matemática está de férias, ou a temporada começou antes e ninguém avisou o cadastro.
O imposto depende de detalhe fino: se você entrega o apartamento com enxoval e faz a limpeza, pode virar serviço. Ou seja, o destino tributário do imóvel está na mão do jogo de toalha.
Mas reclamar do quê, no fundo. Setecentos e dezessete imóveis alugados significa gente chegando e dinheiro entrando na padaria, no mercado e no posto. Tá bagunçado, mas é bagunça de cidade que todo mundo quer visitar. Tem lugar que organizaria isso em uma tarde, porque não aluga nada.
Fontes: os 717 imóveis ativos no Airbnb em maio de 2025, as mais de 2.100 opções em Hotels.com e Expedia, os 11 hotéis e 15 pousadas da conta da Secretaria de Turismo, os 27,68% de registro no Cadastur, os 80,36% de microempresas, as 8 noites apontadas como permanência desejável, a explicação sobre a Lei Complementar nº 116 de 2003 e os serviços agregados, as frases sobre insegurança jurídica e evasão tributária, a recomendação de uma Lei Municipal Geral do Turismo com Fundo Municipal de Turismo e as referências à Lei nº 4.518 de 2024, à Lei Complementar nº 133 de 2024 e à Lei nº 2.241 de 2004 estão no arquivo do Plano Municipal de Turismo de Itapema, publicado pela Secretaria de Turismo de Itapema, que baixamos e lemos por inteiro. O lançamento do plano em 9 de setembro e a parceria com o Sebrae/SC estão no aviso oficial da Prefeitura de Itapema, de 10 de setembro de 2026. Os 65,7% de hospedagem em casa e apartamento alugado e os 23,4% de hotel e pousada estão na nossa matéria desta sexta sobre o perfil do turista. A contagem das 55 fichas do plano de ação e a verificação de que nenhuma delas trata do ISS do aluguel por temporada são trabalho nosso, feito sobre o documento.
Itapema · TurismoO retrato do visitante que está no mesmo plano.
Itapema · EconomiaO tamanho do caixa em que esse imposto entraria.
Itapema · Poder PúblicoA outra regra tributária de imóvel aprovada neste mês.