Brasil · TrabalhoDesemprego cai para 5,3%, o menor da série, e a carteira assinada bate recorde
O outro lado da conta, com a ocupação em recorde e a informalidade subindo junto.
O IBGE contou 15,9 milhões de pessoas ocupadas nos serviços não financeiros em 2024, com média de 2,2 salários mínimos. Bar e restaurante empregam 1,9 milhão de pessoas e pagam 1,4 mínimo, a menor média entre as atividades.
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O setor de serviços não financeiros ocupou 15,9 milhões de pessoas em 2024.
A remuneração média foi de 2,2 salários mínimos por mês.
O mínimo daquele ano era de R$ 1.412.
Eram 1,9 milhão de empresas ativas no setor.
Elas pagaram R$ 644,2 bilhões em salários e outras remunerações.
Alimentação é a atividade que mais emprega: 11,7% do total, ou 1,9 milhão de pessoas.
E é também a que menos paga: média de 1,4 mínimo.
A maior média é a do transporte dutoviário, com 21,1 mínimos.
O setor somou R$ 3,5 trilhões de receita e R$ 2,1 trilhões ao PIB.
EconomiaPublicada em Redação Santa Informa

O setor de serviços não financeiros ocupou 15,9 milhões de pessoas no Brasil em 2024, com remuneração média de 2,2 salários mínimos por mês. Os números são da Pesquisa Anual de Serviços do IBGE, divulgada nesta quinta-feira, 27, e publicada pela Agência Brasil. O salário mínimo daquele ano era de R$ 1.412, então a média equivale a algo perto de R$ 3,1 mil, pela nossa conta.
Eram 1,9 milhão de empresas ativas, que pagaram R$ 644,2 bilhões em salários e outras remunerações. Juntas, somaram R$ 3,5 trilhões de receita operacional líquida e acrescentaram R$ 2,1 trilhões ao PIB.
A atividade que mais ocupa gente é a de alimentação, bar e restaurante, com 11,7% do total, o equivalente a 1,9 milhão de pessoas. É também a que paga a menor média da lista: 1,4 salário mínimo, cerca de R$ 1,98 mil pelo valor de 2024. Logo atrás vêm os serviços técnico-profissionais, com 11,2% e 1,8 milhão de pessoas, pagando 2,56 mínimos. Serviços de escritório e apoio administrativo aparecem com 8,3%, transporte rodoviário de cargas com 8,1% e serviços para edifícios e paisagismo com 7,9%.
No outro extremo da tabela está o transporte dutoviário, que ocupa apenas 6,5 mil pessoas e paga 21,1 mínimos, a maior média do levantamento. Segundo Marcelo Miranda, analista da pesquisa, isso se explica pela "exigência de qualificação técnica muito alta e o risco para os trabalhadores da atividade". Depois vêm transporte aquaviário (6,9 mínimos), aéreo (6,6) e ferroviário (5,5). A tecnologia da informação paga 5,2 mínimos e ocupa 5,6% do setor.
O litoral catarinense vive de serviço. Hotel, pousada, bar, restaurante, limpeza, segurança e transporte de turista são a espinha dorsal da economia daqui, e a temporada multiplica tudo isso por alguns meses. A pesquisa mostra o retrato nacional dessa engrenagem: alimentação é o setor que mais abre vaga e o que menos paga. Para quem procura emprego em Itapema, Porto Belo ou Bombinhas em novembro, isso ajuda a calibrar expectativa. Para quem contrata, mostra por que é difícil segurar cozinheiro bom: a média do setor é baixa, e quem paga acima dela tem vantagem na disputa.
O resumo de 30 segundos está no topo e a versão completa é o texto acima. Aqui ficam as três leituras da casa sobre o mesmo assunto.
Clara, a otimista
Quinze milhões e novecentas mil pessoas ocupadas em serviço, e 1,9 milhão de empresas ativas. Boa parte disso é negócio pequeno, de bairro, tocado por família. No litoral é assim que a economia funciona o ano inteiro.
E tem um caminho visível na tabela. Tecnologia da informação paga 5,2 mínimos e já responde por 5,6% do setor. É serviço também, e é o tipo de vaga que hoje se faz de qualquer lugar, inclusive de uma cidade de praia com internet boa.
Seu Prudêncio, o criterioso
Merece atenção o cruzamento das duas pontas. A atividade que mais emprega no país é a que paga a menor média: 1,4 salário mínimo em alimentação, contra 2,2 da média geral. Isso quer dizer que o setor que mais abre porta é o que menos sustenta orçamento familiar.
Vale acompanhar o efeito disso aqui. Quando novembro chega e o litoral inteiro procura cozinheiro, garçom e auxiliar ao mesmo tempo, quem oferece só a média nacional fica sem gente. Uma sugestão útil para quem contrata: comparar a proposta com a média do setor antes de reclamar da falta de candidato.
E um cuidado de leitura: a pesquisa é de 2024 e mede em salários mínimos, não em reais corrigidos. Serve para comparar atividade com atividade, não para dizer que o trabalhador ficou mais rico ou mais pobre. Feita a ressalva, é um retrato raro e útil. Poucos levantamentos mostram, no mesmo lugar, quem emprega, quem paga e quanto.
Caco, o sarcástico
Alimentação é quem mais emprega no país e quem menos paga. Quem diria que sustentar o almoço dos outros dava tão pouco.
A maior média é do transporte dutoviário, 21,1 mínimos para 6,5 mil pessoas. Ou seja: o segredo é trabalhar num setor que quase ninguém sabe que existe.
E o resumo do litoral cabe numa linha: muita vaga em novembro, muita saudade dela em março.
Fontes: Agência Brasil, reportagem de Bruno de Freitas Moura publicada em 27 de agosto de 2026 às 10h02 com os dados da Pesquisa Anual de Serviços do IBGE referente a 2024, trazendo os 15,9 milhões de pessoas ocupadas no setor de serviços não financeiros, a remuneração média de 2,2 salários mínimos com o mínimo de R$ 1.412 naquele ano, 1,9 milhão de empresas ativas, R$ 644,2 bilhões pagos em salários e outras remunerações, R$ 3,5 trilhões de receita operacional líquida e R$ 2,1 trilhões adicionados ao PIB, a liderança das atividades de alimentação com 11,7% do pessoal ocupado (1,9 milhão de pessoas) e média de 1,4 mínimo, os serviços técnico-profissionais com 11,2% (1,8 milhão) e 2,56 mínimos, os percentuais de escritório e apoio administrativo (8,3%), transporte rodoviário de cargas (8,1%), serviços para edifícios e paisagismo (7,9%) e tecnologia da informação (5,6% e 5,2 mínimos), as maiores remunerações do transporte dutoviário (21,1 mínimos, 6,5 mil trabalhadores), aquaviário (6,9), aéreo (6,6) e ferroviário (5,5), e a análise de Marcelo Miranda, analista da pesquisa. A foto que acompanha a reportagem, de Fernando Frazão/Agência Brasil, não foi reproduzida aqui.
Brasil · TrabalhoO outro lado da conta, com a ocupação em recorde e a informalidade subindo junto.
Litoral · EconomiaDe onde vem o dinheiro que paga esse serviço todo no verão daqui.
Navegantes · TrabalhoO mesmo mercado visto de perto, em vaga aberta aqui do lado.