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O turista voltou ao litoral catarinense, mas gastou 16% menos. Quem vende tem cinco meses para se ajustar

A pesquisa da Fecomércio SC sobre o verão de 2026 já saiu, e agosto é quando hotel, restaurante e comércio definem preço para a próxima temporada. Vale olhar o que o número diz.

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O gasto médio por grupo de visitantes no litoral catarinense caiu 16,4% no verão de 2026, de R$ 9.833 para R$ 8.224.

Mesmo assim, é o segundo maior valor da série histórica iniciada em 2013, e o faturamento do comércio ficou praticamente estável, com alta de 0,4%.

A satisfação seguiu alta: 78% dos visitantes se enquadram como promotores, aqueles que recomendariam o destino.

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EconomiaPublicada em Redação Santa Informa

Praia cheia em dia de sol, com tendas e guarda-sóis coloridos ocupando a areia, cadeiras de praia espalhadas e o mar ao fundo.
O verão de 2026 no litoral catarinense trouxe o mesmo público, com a carteira mais fechada. Imagem ilustrativa · Juan Pablo Daniel/Pexels

Entenda o assunto

A Fecomércio SC divulgou em março a pesquisa Turismo de Verão no Litoral Catarinense de 2026. Trazemos o dado agora porque agosto é o mês em que hotel, pousada e restaurante fecham tabela de preço e contratam para a temporada seguinte.

O número que chama atenção é a queda do gasto médio por grupo: de R$ 9.833 no verão de 2025 para R$ 8.224 em 2026, recuo de 16,4%. Ainda assim é o segundo maior valor desde que a série começou, em 2013.

O turista veio, e comprou diferente

O faturamento geral do comércio ficou praticamente parado, com alta de 0,4% sobre 2025, e 20,9% acima da baixa temporada. Ou seja: o movimento veio, o gasto por grupo é que encolheu.

A retração se concentrou em setores específicos. Vestuário caiu 39,4%, alimentação fora do lar 26,6% e bares e restaurantes 23,1%. Já hotéis e pousadas cresceram 6,6%, com média de R$ 2.277 por check-in.

Na hospedagem, o aluguel de imóvel liderou com 40,2% da preferência, à frente de hotel e pousada. As plataformas digitais concentraram mais da metade das locações de temporada.

Quem é esse visitante

Estrangeiros foram 36,5% do total, e os argentinos sozinhos responderam por 29%. O gasto do argentino também recuou, 17,5%, para R$ 10.983. Ainda assim ele gasta acima da média geral.

O perfil é bastante estável: 85,2% vieram em família ou casal, 61,6% ganham de dois a oito salários mínimos, a idade média é 45 anos e 72,3% chegaram de carro próprio, embora o modal aéreo tenha crescido 46,9%.

O que ainda está em aberto. A pesquisa mede o litoral catarinense como um todo, e não abre resultado por município. Não dá para dizer, com esse dado, como Itapema ou a Costa Esmeralda se comportaram separadamente. A Fecomércio SC também não projeta o verão de 2027, e o comportamento do câmbio com a Argentina é a variável que mais pesa e menos se prevê.
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Os números que importam

Outros jeitos de ler

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O resumo de 30 segundos está no topo e a versão completa é o texto acima. Aqui ficam as três leituras da casa sobre o mesmo assunto.

Clara, a otimista

Gasto menor não significa turista insatisfeito. Setenta e oito por cento seguem recomendando o destino, e isso é zona de excelência em qualquer metodologia.

E o faturamento do comércio não caiu. O visitante trocou de cesta, não de destino. Hotel e pousada até cresceram. Quem souber ler onde a demanda migrou tem cinco meses para se posicionar.

Seu Prudêncio, o criterioso

Merece atenção a composição da queda. Vestuário caindo quase 40% e alimentação fora do lar 26,6% não é ajuste fino, é mudança de comportamento. O visitante passou a cozinhar no imóvel alugado em vez de almoçar fora.

E aí entra o dado de hospedagem: 40,2% em imóvel alugado, com plataforma digital intermediando mais da metade. Uma casa alugada tem cozinha, um quarto de hotel não tem. Os dois números conversam, e quem tem restaurante na orla precisa levar isso em conta antes de definir cardápio e preço.

Vale acompanhar também a dependência argentina: 29% do público num só país vizinho é concentração alta, e depende de câmbio, que ninguém aqui controla. Uma sugestão útil seria diversificar a comunicação para outros mercados enquanto o movimento está bom.

Feita a ressalva, faturamento estável num ano de retração de consumo no país inteiro é resultado sólido, e o litoral catarinense segue como segundo melhor da série histórica.

Caco, o sarcástico

O turista continua vindo, continua adorando, continua recomendando. Só parou de gastar. Praticamente um elogio com a carteira fechada.

Alugou casa com cozinha e fez macarrão em vez de pagar couvert. Descobriu o que morador daqui sabe desde sempre: comer na orla em janeiro custa o preço de uma diária.

E segue: 29% de argentino. A economia do litoral catarinense é, tecnicamente, um problema de câmbio com sotaque.

Fontes: Pesquisa Turismo de Verão no Litoral Catarinense 2026, da Fecomércio SC, divulgada em março de 2026, com repercussão em OCP News.

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