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Itapema · Obras
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Alargamento da Meia Praia entra na reta final antes do verão

São 4,75 quilômetros de orla, R$ 60 milhões e um cronograma sem folga: a obra precisa começar depois do defeso e terminar antes da chegada dos turistas.

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Itapema vai alargar a faixa de areia da Meia Praia ao longo de 4,75 quilômetros de orla. A conta é de R$ 60 milhões, dividida meio a meio entre Prefeitura e Governo do Estado.

A Licença Ambiental de Instalação foi entregue em maio pelo governador Jorginho Mello ao prefeito Alexandre Xepa, liberando a fase de licitação.

A previsão é começar em agosto, depois do defeso da pesca, com cerca de quatro meses de execução. Dependendo do trecho, a praia ganha de 20 a 60 metros a mais de areia.

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InfraestruturaPublicada em Atualizada em Redação Santa Informa

Vista aérea da Meia Praia em Itapema: o mar ocupa a metade esquerda da imagem, a faixa de areia curva acompanha a orla e, à direita, a linha contínua de edifícios altos se estende até os morros ao fundo.
A faixa de areia da Meia Praia e o primeiro anel de edifícios. É a distância entre esses dois pontos que a obra de engordamento pretende ampliar. O registro é de 2017 e mostra a orla antes da obra. Foto: Prefeitura de Itapema/Divulgação, 2017

Entenda o assunto

A Meia Praia é a orla principal de Itapema e concentra a maior parte da ocupação urbana da cidade. Ao longo dos anos, o avanço do mar reduziu a faixa de areia em vários trechos, especialmente nos períodos de ressaca, o que pressiona calçadas, muros e o primeiro anel de edifícios.

O engordamento de praia é uma técnica de proteção costeira. Areia retirada de uma jazida submarina e bombeada para a faixa seca, ampliando a distância entre o mar e a área construída. O objetivo declarado combina duas frentes: proteger a orla contra eventos climáticos e ampliar o espaço de uso público durante a alta temporada.

A obra também conversa com a estratégia econômica do município. Itapema tem no turismo e na construção civil seus dois principais motores, e a qualidade da orla influencia diretamente os dois.

O que ainda está em aberto. Licença ambiental de instalação autoriza o início, mas não encerra o processo. Restam a licitação, a contratação da empresa executora e o cumprimento do prazo. Enquanto isso não estiver assinado e em campo, o cronograma segue sendo previsão. Há também uma ação civil pública em curso: as 1ª e 3ª Promotorias de Justiça de Itapema pediram à Justiça a suspensão do licenciamento e da licitação, sustentando que a intervenção exigiria Estudo de Impacto Ambiental completo, e não o estudo simplificado aceito pelo IMA. O pedido de liminar ainda não foi decidido e nada está suspenso. A Prefeitura defende a regularidade do processo. Atualização de 18 de agosto: a obra chegou à segunda metade de agosto sem início anunciado, e a situação atual está em matéria própria.
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O resumo de 30 segundos está no topo e a versão completa é o texto acima. Aqui ficam as três leituras da casa sobre o mesmo assunto.

Clara, a otimista

Praia mais larga e mais espaço para todo mundo. Mais lugar para a criança correr, para o guarda-sol do pai de família e para o vendedor de milho trabalhar. Não e privilegio de ninguém, e chão público.

E tem o efeito prático que pouca gente comenta: faixa de areia larga funciona como proteção natural da orla quando vem ressaca braba. Quem mora na primeira quadra sabe muito bem do que estou falando.

Se ainda sobrar valorização e mais turista no verão, ótimo. Mas o ganho que interessa mesmo e esse, o de sair de casa e ter praia para caber a cidade inteira.

Seu Prudêncio, o criterioso

Obra de engordamento de praia é tecnicamente complexa e envolve etapas que não dependem só de vontade: licitação, contratação, janela ambiental e logística de dragagem. Quatro meses é um prazo justo, e atraso nesse tipo de intervenção é comum em qualquer lugar do mundo.

Vale registrar também que praia alargada pede manutenção periódica. Balneário Camboriú já convive com isso, e o ideal é que o município preveja essa linha no orçamento desde agora, em vez de descobrir depois.

Dito tudo isso, o benefício final é difícil de contestar. Faixa de areia mais larga significa proteção real da orla contra ressaca e mais espaço público em uma cidade que praticamente não tem onde crescer. Se sair bem executada, é das obras mais úteis que Itapema já fez.

Caco, o sarcástico

Sessenta milhões para botar areia na praia. Parece piada, até você lembrar que o metro quadrado aqui custa mais que apartamento em capital. Nesse contexto, é quase investimento conservador.

Vai encher de gente? Vai. Vai ter fila para estacionar? Vai. Mas ninguém faz fila para entrar em lugar ruim. A gente está reclamando de sucesso, e reclamar de sucesso é o problema mais gostoso que existe.

Agora vem a parte chata: poeira, barulho e desvio na orla por quatro meses. Vai incomodar, sem dúvida. So que quando a poeira baixa, sobra praia. Já vi cidade sofrer muito mais e não ganhar nada em troca.

Fontes: Ministério Público de Santa Catarina, Governo de Santa Catarina, Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, Prefeitura de Itapema, ND Mais e Diarinho.

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