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O consórcio de saúde de Itapema e mais dez cidades pôs iodoterapia e punção de mama na tabela, e a tabela do SUS paga 28,6% dessa conta

O CIS-AMFRI, consórcio público de saúde que reúne Itapema e mais dez cidades da Foz do Rio Itajaí, incluiu seis linhas novas na tabela de procedimentos: cinco doses de iodoterapia, o tratamento com iodo radioativo usado depois de cirurgia de tireoide, e uma punção de mama com doppler colorido. Somadas, as seis valem R$ 25.120,00. A tabela do SUS cobre R$ 7.194,34 disso, ou 28,6%. O restante, R$ 17.925,66, aparece no documento como valor complementar, e é 71,4% da conta. A deliberação é de 22 de setembro e saiu no Diário Oficial dos Municípios na sexta-feira, 25. Os percentuais são conta nossa.

Em 30 segundos · Modo de Leitura, formato original Santa Informa

Itapema está num consórcio de saúde.

É o CIS-AMFRI, com sede em Itajaí.

São 11 cidades da região juntas.

O consórcio tem uma tabela de preços.

Ela diz quanto vale cada procedimento.

Na sexta saiu uma mudança nessa tabela.

Entraram seis linhas novas.

Cinco são de iodoterapia.

É tratamento com iodo radioativo.

Usado depois de cirurgia de tireoide.

As doses vão de 30 a 250 mCi.

A mais barata sai por R$ 3.360,00.

A mais cara, R$ 6.500,00.

A sexta linha é exame de mama.

Punção por agulha grossa com doppler.

Essa sai por R$ 680,00.

O documento separa a conta em duas partes.

Uma é o valor SUS, da tabela federal.

A outra é o valor complementar.

Somando as seis, dá R$ 25.120,00.

O SUS cobre R$ 7.194,34.

Isso é 28,6% do total.

O complementar é R$ 17.925,66.

Ou seja, 71,4% da conta.

No exame de mama a diferença é maior.

O SUS paga R$ 140,00 dos R$ 680,00.

O complementar é 79,4% ali.

É a quarta mexida na tabela em 2026.

E a de maior valor até agora.

Antes, o teto de uma linha era R$ 1.100,00.

A deliberação é ad referendum.

Ou seja, ainda vai ser referendada.

O texto não diz quem paga o complementar.

Nem como isso se divide entre as 11 cidades.

Início›Poder Público

Poder PúblicoPublicada em Redação Santa Informa

Corredor largo e vazio de hospital, com piso cinza brilhante, paredes brancas com corrimão laranja, portas fechadas à esquerda e janelas altas à direita.
Corredor de hospital sem ninguém. A imagem ilustra o assunto e não registra nenhuma unidade de saúde de Itapema nem da região. Imagem ilustrativa · Burçak Çubukçu/Pexels

Entenda o assunto

O CIS-AMFRI é o Consórcio Público Interfederativo de Saúde da Região da Foz do Rio Itajaí. Ele junta 11 prefeituras, entre elas a de Itapema, para contratar serviço de saúde que a rede própria de cada cidade não dá conta de oferecer. As outras dez são Balneário Camboriú, Balneário Piçarras, Bombinhas, Camboriú, Ilhota, Itajaí, Luiz Alves, Navegantes, Penha e Porto Belo. Quem manda na tabela de preços é a Comissão Intergestores Regional, a CIR, formada pelos secretários de saúde. Na sexta-feira, 25 de setembro, saiu no Diário Oficial dos Municípios a deliberação 39/2026, assinada três dias antes, que põe seis linhas novas nessa tabela.

O que entrou, e por quanto

Cinco das seis são iodoterapia, o tratamento em que a pessoa toma iodo radioativo, em geral depois de uma cirurgia de tireoide. As doses aparecem separadas por tamanho, de 30 a 250 milicuries, e cada uma tem o seu preço: R$ 3.360,00 (30 mCi), R$ 4.380,00 (100), R$ 4.800,00 (150), R$ 5.400,00 (200) e R$ 6.500,00 (250). O valor cobre serviço hospitalar e médico. A sexta linha é a punção aspirativa de mama por agulha grossa junto com doppler colorido, por R$ 680,00, e o próprio texto avisa que esse valor não inclui a análise patológica, que é a leitura do material no laboratório.

Quem paga o quê

A tabela do consórcio tem três colunas: valor SUS, valor complementar e valor total. A primeira é o que a tabela federal do SUS reembolsa. A segunda é o que precisa ser posto por cima para chegar ao preço de mercado que a pesquisa do consórcio encontrou. Somando as seis linhas, o total é de R$ 25.120,00, sendo R$ 7.194,34 de SUS e R$ 17.925,66 de complementar. Em porcentagem, 28,6% e 71,4%. A maior distância está no exame de mama, onde o SUS paga R$ 140,00 e o complementar é de R$ 540,00, ou 79,4%. A menor está na iodoterapia de 200 mCi, com 66,5%. As contas de percentual são nossas sobre os valores do documento.

A quarta mexida na tabela em 2026, e a mais cara

Levantamos as deliberações da CIR Foz do Rio Itajaí publicadas em 2026 e chegamos a quatro que alteram essa tabela. Em 31 de março saiu a 06/2026, que ajustou duas consultas de reumatologia para R$ 200,00. Em 7 de julho, a 33/2026 incluiu a cadeia inteira da protetização auditiva, com aparelho de amplificação sonora a R$ 1.100,00 e exames de R$ 12,00 a R$ 88,00. Em 11 de agosto, a 19/2026 pôs um único item, teste de processamento auditivo, a R$ 350,00. Agora a 39/2026 entra com R$ 6.500,00 numa linha só, quase seis vezes o maior valor que a tabela tinha ganhado no ano. O documento diz que a aprovação é ad referendum, feita pelo vice-coordenador da comissão, o que significa que ainda passa pelo aval do colegiado.

O que ainda está em aberto. A deliberação fixa preço, e só. Ela não diz quem paga o valor complementar: se o consórcio, com dinheiro rateado entre as 11 cidades, ou a prefeitura que encaminhou o paciente. Também não diz onde esses atendimentos vão acontecer, nem qual prestador credenciado vai executá-los, porque isso corre no Edital de Credenciamento 03/2023 e no processo administrativo, que não foram publicados junto. Não há estimativa de quantos atendimentos por ano, nem de quantos moradores de Itapema esperam hoje por iodoterapia ou por esse exame de mama. No caso da mama, o texto exclui a análise patológica do valor e não informa quem banca essa parte. E fica sem data a reunião do colegiado que vai referendar a decisão. Procuramos no site da Prefeitura de Itapema e no Diário Oficial quanto a cidade repassou ao CIS-AMFRI em 2026 e não encontramos o valor consolidado.
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Os números que importam

Outros jeitos de ler

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O resumo de 30 segundos está no topo e a versão completa é o texto acima. Aqui ficam as três leituras da casa sobre o mesmo assunto.

Clara, a otimista

O melhor dessa notícia é o que ela revela sem dizer: tratamento de tireoide com iodo radioativo virou assunto de tabela regional. Quer dizer que a região parou de tratar isso como coisa de capital e começou a organizar preço para resolver aqui perto. Para quem mora em Itapema e já teve que pensar em Florianópolis ou Joinville, isso é encurtar estrada.

E o consórcio é um jeito esperto de uma cidade média comprar serviço caro. Sozinha, Itapema não teria volume para negociar preço de iodoterapia. Com mais dez do lado, tem. A tabela publicada é a prova de que a engrenagem está rodando.

Seu Prudêncio, o criterioso

Merece atenção a proporção. Setenta e um por cento da conta fora da tabela do SUS não é detalhe contábil, é o tamanho do esforço que sai do caixa municipal a cada atendimento. Vale acompanhar quantos atendimentos o consórcio vai autorizar por ano, porque é a multiplicação disso que aparece no orçamento de saúde lá na frente, e não o preço unitário.

Uma sugestão útil: publicar junto com a tabela a estimativa de demanda por cidade. O número existe, porque toda pesquisa de preço parte de uma quantidade. Sem ele, o gestor municipal aprova preço sem saber o compromisso, e o leitor não consegue comparar um ano com o outro. O mesmo vale para a análise patológica da punção de mama, que ficou de fora do valor e precisa estar em algum lugar.

Dito isso, há um ganho real aqui que seria injusto não registrar. A tabela está publicada, item por item, com valor aberto e código de procedimento. Isso é mais transparência do que muita compra direta de prefeitura oferece, e permite exatamente o tipo de conferência que fizemos aqui. O consórcio acertou em publicar assim.

Caco, o sarcástico

Descobri hoje que existe uma tabela em que o SUS paga R$ 140,00 de um exame de R$ 680,00 e alguém tem que arrumar os outros R$ 540,00. A tabela chama essa parte de complementar. É um adjetivo corajoso para quem fica com quase 80% da conta.

Também aprendi que iodoterapia se vende por milicurie, como café por quilo. De 30 a 250, com preço crescente. Só que ninguém escolhe o tamanho, quem escolhe é o médico, o que estraga a comparação mas melhora o tratamento.

No fim, é boa notícia. A região se juntou, pesquisou preço e publicou tudo com código e centavo. Tá caro, mas tá escrito.

Fontes: os seis procedimentos, os códigos e os valores de SUS, complementar e total estão na Deliberação ad referendum nº 39/2026 da CIR Foz do Rio Itajaí, assinada em Itajaí em 22 de setembro de 2026 pelo vice-coordenador Rodrigo Medeiros e publicada no Diário Oficial dos Municípios de Santa Catarina em 25 de setembro de 2026, que abrimos e lemos por inteiro. A lista das 11 cidades do consórcio está no rodapé do mesmo documento. As deliberações anteriores que mexeram na tabela em 2026 são a 06/2026, publicada em 31 de março, a 33/2026, publicada em 7 de julho, e a 19/2026, publicada em 11 de agosto. O levantamento das quatro, a comparação entre elas e todos os percentuais são conta nossa sobre os valores publicados. O consórcio e a sua relação com Itapema já apareceram por aqui em Consórcio de saúde da região abre pregão de 266,4 mil cateteres para Itapema e mais seis cidades, de 21 de setembro de 2026. A informação de que não encontramos o valor repassado por Itapema ao CIS-AMFRI em 2026 é registro do que procuramos nesta data, não afirmação de que o dado não exista.

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