Itapema · Meio AmbienteObra de 10 apartamentos ou mais em Itapema passa a precisar de duas certidões da FAACI, e o prazo de análise ainda não foi definido
Do outro lado da Costa Esmeralda, Itapema também apertou a régua ambiental de quem constrói.
A força-tarefa da Prefeitura de Porto Belo demoliu estruturas de concreto e madeira que seriam usadas para levantar chalés na Estrada Parque, na quarta-feira, 2 de setembro. A via é o traçado do projeto que a própria Prefeitura chama de segundo acesso a Bombinhas. O licenciamento ambiental desse projeto está suspenso pela Justiça Federal desde 1º de julho, a pedido do Ministério Público Federal, e nenhuma das duas prefeituras publicou desfecho até agora.
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Porto Belo demoliu estruturas na Estrada Parque.
Era concreto e madeira para chalés.
A ação foi na quarta-feira, 2 de setembro.
Quem fez foi a força-tarefa do município.
Ela nasceu do Decreto nº 3428/2022.
São dez frentes do município juntas.
A Estrada Parque não é via qualquer.
É o segundo acesso a Bombinhas.
O projeto foi entregue a Bombinhas em janeiro.
Em maio teve audiência nas duas cidades.
Em 1º de julho a Justiça Federal suspendeu o licenciamento.
O pedido foi do Ministério Público Federal.
A Prefeitura disse que ia levar esclarecimento aos autos.
Em agosto, a força-tarefa limpou toda a via.
Extensão, custo e prazo da obra: não divulgados.
Meio AmbientePublicada em Redação Santa Informa

A força-tarefa da Prefeitura de Porto Belo demoliu, na quarta-feira, 2 de setembro, estruturas de concreto e madeira que seriam usadas para levantar chalés na Estrada Parque. O aviso saiu no site da Prefeitura em 4 de setembro. E a via onde as estruturas estavam não é uma estrada qualquer: é o traçado do projeto que o próprio município chama de segundo acesso a Bombinhas, e cujo licenciamento ambiental está parado por decisão da Justiça Federal desde o começo de julho.
O projeto da Estrada Parque chegou à mesa de Porto Belo em 10 de novembro de 2025 e foi entregue ao município de Bombinhas em 20 de janeiro de 2026. Ele foi desenhado pela empresa Wert por meio de Outorga Onerosa do Direito de Construir, o instrumento que troca potencial construtivo por contrapartida ao município. Na data da entrega, a Licença Ambiental Prévia já tinha sido emitida. Em maio vieram as audiências públicas: dia 5 na Câmara de Porto Belo, dia 6 em Bombinhas. Nas duas, o argumento oficial foi o mesmo: o trânsito de temporada não cabe mais no acesso que existe hoje. Quem sai de Itapema num sábado de janeiro para o Canto Grande sabe bem do que eles falam.
Naquele dia, a Prefeitura de Porto Belo publicou uma nota sobre a decisão da Justiça Federal que suspendeu o licenciamento ambiental da Estrada Parque. A suspensão atendeu ao Ministério Público Federal, que sustenta que o projeto licenciado está abrangido por um acordo judicial firmado antes. A Prefeitura respondeu que respeita a atuação do MPF e as decisões do Judiciário, e que o projeto atual tem características técnicas distintas da proposta original, por ser adequação de um traçado que já existe, com medidas de preservação ambiental. Disse ainda que apresentaria esclarecimentos técnicos e jurídicos nos autos. Passados dois meses, nem Porto Belo nem Bombinhas publicaram em que pé está o processo.
A força-tarefa foi criada pelo Decreto Municipal nº 3428/2022 e reúne dez frentes do município: Gabinete do Prefeito, Fundação Municipal do Meio Ambiente (Famap), Vigilância Sanitária, Planejamento Urbano, Segurança Pública, Polícia Militar, Defesa Civil, Guarda Municipal, Assistência Social, Procuradoria Geral e Obras. O caminho descrito pela Prefeitura é notificar o responsável, mandar retirar o material e, se a ordem não for cumprida, remover direto. A régua do que pode ser derrubado veio na norma municipal nº 186/2022, apresentada pela Prefeitura em agosto daquele ano, que trata de obra fora do projeto licenciado, de construção sobre rede e curso d'água e de estrutura com risco reconhecido pela Defesa Civil. Não é a primeira vez que o grupo age: em 14 de agosto de 2025 ele retirou casebres na rua Pedro Guerreiro, o ponto de maior concentração de obra irregular segundo o município. E em agosto deste ano limpou toda a extensão da Estrada Parque.
O resumo de 30 segundos está no topo e a versão completa é o texto acima. Aqui ficam as três leituras da casa sobre o mesmo assunto.
Clara, a otimista
Cuidar do traçado antes da obra sair do papel é economia pura. Estrutura que sobe hoje na faixa da estrada vira indenização, processo e atraso lá na frente, quando a máquina chegar. Limpar agora custa muito menos.
E tem o jeito de contar. A Prefeitura publicou a ação no site, com o número do decreto que criou a força-tarefa e a lista dos órgãos envolvidos. Quem quiser conferir tem por onde começar, sem depender de boato de grupo de WhatsApp.
Seu Prudêncio, o criterioso
Merece atenção o silêncio sobre o processo. A decisão da Justiça Federal é de 1º de julho, o município disse que levaria esclarecimentos aos autos, e desde então nenhuma das duas prefeituras publicou uma linha sobre o andamento. Obra que depende de licença suspensa não tem cronograma, e sem cronograma ninguém consegue se planejar, nem o morador nem quem vive de turismo.
Vale acompanhar também a falta de número. Não sabemos a extensão da estrada, o custo estimado nem o prazo de execução, e isso já dura desde novembro de 2025. Uma sugestão útil seria as duas prefeituras publicarem uma página única do projeto, com o traçado, o orçamento e a situação do licenciamento atualizada.
Agora, o rumo da fiscalização é o certo. Notificar antes de remover, agir em toda a cidade e não só num bairro, e apoiar a demolição numa norma escrita de 2022 é o jeito de fazer que segura em pé se for questionado depois. Manter a faixa livre enquanto o projeto se resolve protege o dinheiro público e protege quem, sem saber, ia comprar problema.
Caco, o sarcástico
Chalé com vista para uma estrada que ainda não tem licença é o tipo de investimento arrojado que só o litoral produz. Quando a obra sair, a varanda ia dar direto na pista. Quase um drive-thru.
E repare no ritmo: em agosto a força-tarefa limpou a estrada inteira, em setembro voltou e achou concreto novo. Tem gente aqui com mais disposição que a máquina da Prefeitura.
Brincadeira à parte, a mensagem é clara e serve para todo mundo: antes de bater a primeira estaca, pergunte de quem é o terreno e o que dizem os autos. Sai bem mais barato.
Fontes: Prefeitura de Porto Belo, notícia publicada em 4 de setembro de 2026, de onde saem a demolição das estruturas de concreto e madeira destinadas a chalés na Estrada Parque na quarta-feira 2 de setembro, a limpeza de toda a extensão da via em agosto, o Decreto Municipal nº 3428/2022, a lista dos dez órgãos da força-tarefa e o procedimento de notificar antes de remover. A suspensão do licenciamento ambiental pela Justiça Federal, o pedido do Ministério Público Federal apoiado em acordo judicial anterior e a resposta do município estão na nota publicada em 1º de julho de 2026. A entrega do projeto ao município de Bombinhas em 20 de janeiro de 2026, a autoria da empresa Wert por Outorga Onerosa do Direito de Construir e a Licença Ambiental Prévia já emitida estão nesta nota de janeiro. As audiências públicas de 5 de maio em Porto Belo e 6 de maio em Bombinhas, e o enquadramento do projeto como segundo acesso a Bombinhas, estão na nota da audiência. A ação anterior da força-tarefa na rua Pedro Guerreiro, em 14 de agosto de 2025, está nesta notícia, e a norma municipal nº 186/2022 sobre demolição de obra irregular foi apresentada pela Prefeitura nesta publicação de agosto de 2022. A imagem do topo é de banco gratuito, entra como ilustração e não retrata a via nem a ação descrita.
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