Itapema · LegislativoCadastro de imóvel, ITBI e alvará de baixa temporada: a pauta que a Câmara de Itapema levou ao plenário
Onde o PL nº 528/2026 apareceu pela primeira vez, ainda como pedido de urgência.
O PL nº 528/2026 passou por unanimidade na 25ª Sessão Ordinária, com o plenário cheio de moradores. Segundo a Câmara, centenas de ordens de despejo já emitidas deixam de ser cumpridas com a nova lei.
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A Câmara de Itapema aprovou em 18 de agosto, na 25ª Sessão Ordinária, o PL nº 528/2026. Ele autoriza a Prefeitura a indenizar proprietários de áreas desapropriadas por utilidade pública.
A área são os lotes 766 a 1.240 do Loteamento Jardim Praiamar, no Sertão do Trombudo, região conhecida como Comunidade da 450 e Comunidade João do Mato.
A votação foi unânime, acompanhada por representantes das comunidades que lotaram o plenário. Com a lei, a área passa a ser da Prefeitura.
A Câmara informa que centenas de ordens de despejo já emitidas deixam de ser cumpridas. O texto também prevê receber 10 lotes da empresa Preciosa Ltda como quitação de dívida tributária.
Poder PúblicoPublicada em Redação Santa Informa
A Câmara de Vereadores de Itapema discutiu e aprovou em 18 de agosto, na 25ª Sessão Ordinária, o Projeto de Lei nº 528/2026. Ele autoriza a Prefeitura a indenizar o proprietário de áreas desapropriadas por utilidade pública. A votação foi unânime, com todos os votos favoráveis.
O projeto trata dos lotes 766 a 1.240 do Loteamento Jardim Praiamar, no bairro Sertão do Trombudo. Na cidade, essa região é conhecida por dois nomes: Comunidade da 450 e Comunidade João do Mato. São quase 500 lotes num pedaço só.
Com a lei em vigor, a área passa a ser da Prefeitura. Segundo a justificativa do projeto, esse passo é indispensável para "implementação de ações de regularização fundiária e de qualificação urbanística da área, em benefício direto da população local".
A Câmara informa que, com a aprovação, centenas de ordens de despejo atualmente emitidas deixam de ser cumpridas. É o ponto que muda a vida de quem mora ali antes de qualquer obra começar: sai a insegurança de perder a casa e entra a segurança jurídica.
Regularização fundiária é o processo que transforma ocupação sem documento em endereço com título. Sem ela, a casa existe, mas não existe no papel, e é isso que trava água encanada, rede de esgoto, iluminação pública e financiamento.
Além de autorizar a indenização, o texto permite quitar dívida tributária por meio da entrega de imóveis ao poder público. Está prevista a entrada de 10 lotes da empresa titular dos imóveis, a Preciosa Ltda. Na prática, parte do que a empresa deve em tributo vira terra para a Prefeitura.
O vereador João Vitor (PL) disse que a proposta torna possível levar "saneamento, luz e dignidade para aquelas pessoas". Os vereadores Léo Cordeiro (MDB), Maurinho do Gás (PSD), Márcio Silva (DC) e Lorita Montagner (PSD) também defenderam a proposta e lembraram que a conquista vem de anos de trabalho em conjunto. A votação foi acompanhada por representantes das comunidades, que encheram o plenário.
O PL nº 528/2026 já tinha aparecido na nossa cobertura da pauta da Câmara, como um dos cinco pedidos de urgência da sessão. Agora ele está aprovado.
O resumo de 30 segundos está no topo e a versão completa é o texto acima. Aqui ficam as três leituras da casa sobre o mesmo assunto.
Clara, a otimista
Plenário cheio de morador em sessão de terça à noite não acontece por acaso. Foi gente que saiu de casa para ver o próprio endereço ser votado, e viu a votação sair unânime.
O que muda primeiro é o sono. Quem tinha ordem de despejo na gaveta passa a poder pintar a parede, consertar o telhado, plantar no quintal. Depois vem a rede de esgoto e a luz. Mas a parte que segura a pessoa no lugar já foi resolvida.
Seu Prudêncio, o criterioso
Merece atenção o valor. O projeto autoriza indenizar, mas nem a Câmara nem a Prefeitura publicaram quanto isso custa, nem de qual dotação sai. Autorização sem número é a parte fácil do processo, o pagamento é a parte que aparece no orçamento do ano que vem.
Vale acompanhar também o prazo. Regularização fundiária de quase 500 lotes envolve levantamento topográfico, análise de cada ocupação e registro em cartório. Isso não acontece em um semestre. Uma sugestão útil: a Prefeitura publicar um cronograma com etapas e datas, para o morador saber onde está a fila.
Feita a ressalva, o passo é dos certos. Sem a área no nome do município, saneamento e iluminação não entram, e a discussão de despejo volta todo ano. Resolver a titularidade primeiro é a ordem tecnicamente correta, e a unanimidade mostra que dessa vez a Casa inteira leu do mesmo jeito.
Caco, o sarcástico
Itapema é a cidade do metro quadrado mais caro do Brasil e leva anos para acertar o documento de um bairro inteiro. Terra aqui é ouro, menos quando é a sua.
Repare no detalhe elegante: a empresa devia tributo e vai pagar com lote. Se todo mundo pudesse quitar IPTU entregando o quintal, a Prefeitura hoje seria dona da cidade.
E o melhor é o nome. Comunidade da 450. Um lugar batizado por número de linha de ônibus agora vai ganhar endereço de verdade. Alguém avisa o carteiro.
Fontes: Câmara de Vereadores de Itapema, publicada em 19 de agosto de 2026.
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