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Itapema · Meio Ambiente
Itapema · Meio Ambiente

68% dos moradores de Itapema vivem em rua sem nenhuma árvore, a pior marca das três cidades da Costa Esmeralda, e a lei estadual de julho não obriga a cidade a plantar

Fomos ao Censo 2022 do IBGE e montamos, cidade por cidade, quantos moradores vivem em rua sem nenhuma árvore. Em Itapema são 49.983 de 73.490 pesquisados, ou 68,0%. É a pior marca das três cidades da Costa Esmeralda: Bombinhas tem 66,3% e Porto Belo, 61,2%. Em Santa Catarina são 58,8% e no Brasil, 33,7%. Em Balneário Camboriú, vizinha de parede, são 27,4%. A Lei estadual 20.045, de 29 de julho, criou a Política Estadual de Arborização Urbana, mas ela põe o Estado como agente indutor e deixa o plano municipal como instrumento opcional: não cria obrigação de plantar para Itapema nem para nenhuma outra cidade. As contas são nossas.

Em 30 segundos · Modo de Leitura, formato original Santa Informa

O IBGE contou árvore de rua no Censo de 2022.

Ele olhou a quadra onde cada casa fica.

E anotou quantas árvores tinha ali.

Nós pegamos esse dado por cidade.

Em Itapema, 68,0% moram em rua sem árvore.

São 49.983 pessoas de 73.490 pesquisadas.

Só 8,9% moram em rua com cinco árvores ou mais.

Em Santa Catarina, sem árvore são 58,8%.

No Brasil, 33,7%.

Itapema está 9,2 pontos acima do estado.

Na Costa Esmeralda, é a pior das três.

Bombinhas tem 66,3%.

Porto Belo tem 61,2%.

Balneário Camboriú tem 27,4%.

A diferença para a vizinha é de 40,6 pontos.

Tijucas tem 70,9% e Navegantes, 75,2%.

O dado é de rua, não de morro.

Mata de encosta e quintal não entram na conta.

Metade de Itapema é unidade de conservação.

E a rua da frente continua sem sombra.

Em julho saiu uma lei nova em Santa Catarina.

É a Lei 20.045, de 29 de julho de 2026.

Ela criou a Política Estadual de Arborização Urbana.

O autor é o deputado Marquito.

A lei vale desde o dia da publicação.

Mas o Estado entra como agente indutor.

O plano municipal é instrumento, não dever.

Ou seja, a cidade planta se quiser.

Em junho, Itapema teve uma ação no Várzea.

Foram 250 mudas plantadas.

E cerca de 400 árvores distribuídas.

Não achamos plano de arborização publicado.

Início›Meio Ambiente

Meio AmbientePublicada em Redação Santa Informa

Avenida de duas pistas ladeada por fileiras de árvores de folhas avermelhadas, com um carro branco na pista da esquerda, um prédio alto ao fundo e folhas caídas sobre o asfalto molhado.
Uma rua com árvore dos dois lados, em Curitiba. É o desenho que o Censo classifica como rua com cinco árvores ou mais, a situação de 8,9% dos moradores de Itapema. Imagem ilustrativa · Gabriela Cheloni/Pexels

Entenda o assunto

No Censo de 2022 o IBGE fez uma coisa que nenhuma outra pesquisa faz: foi até a quadra de cada casa e contou as árvores da rua. O resultado por município está aberto na tabela 10053 do SIDRA, e nós baixamos os números de Itapema e das cidades em volta para poder comparar. Em Itapema, 49.983 dos 73.490 moradores pesquisados vivem em rua sem nenhuma árvore. São 68,0%. No outro extremo, só 8,9% moram em rua com cinco árvores ou mais. Os percentuais são conta nossa.

Como a cidade se sai perto das vizinhas

Santa Catarina inteira tem 58,8% dos moradores em rua sem árvore, e o Brasil tem 33,7%. Itapema está 9,2 pontos acima do estado e 34,3 pontos acima do país. Dentro da Costa Esmeralda, é a pior das três: Bombinhas marca 66,3% e Porto Belo, 61,2%. A comparação que mais salta é com a vizinha de parede: Balneário Camboriú tem 27,4% de moradores em rua sem árvore, 40,6 pontos abaixo de Itapema, e 34,8% em rua com cinco árvores ou mais. Na volta do mapa, Camboriú tem 54,6%, Tijucas 70,9% e Navegantes 75,2%.

O dado é de rua, não de morro

Vale entender o que está sendo medido, porque isso muda a leitura. O IBGE olha a face de quadra onde o domicílio fica, ou seja, a calçada e a rua da frente. Mata de encosta, quintal particular e área de preservação não entram na conta. Itapema tem metade do território dentro de uma unidade de conservação, e mesmo assim sete em cada dez moradores saem de casa numa rua sem sombra. A pesquisa cobriu 73.490 dos 75.940 moradores do Censo, 96,8% da cidade, conta nossa.

A lei nova aponta o caminho, mas não empurra

Em 29 de julho de 2026 o governador sancionou a Lei 20.045, que institui a Política Estadual de Arborização Urbana. O projeto é do deputado Marquito e tramitou como PL 0039/2025. O texto lista instrumentos úteis, entre eles o espaço árvore, que é o espaço reservado para plantio na calçada, o inventário das árvores existentes e o plano municipal. Mas o artigo 9º define o Estado como agente indutor, e o artigo 7º trata o plano de arborização como instrumento "quando instituído pelos entes competentes". Em português: a cidade planta se quiser. Do lado de cá, a ação mais recente que a Prefeitura divulgou foi em 20 de junho, no bairro Várzea, com 250 mudas frutíferas plantadas e cerca de 400 árvores distribuídas, numa parceria da Conasa Águas de Itapema com a FAACI e entidades do bairro.

O que ainda está em aberto. Procuramos no site da Prefeitura e no da FAACI e não encontramos um plano municipal de arborização urbana publicado, nem um inventário das árvores da cidade. Se existe, não está aberto ao leitor. Também não há meta de plantio divulgada: quantas árvores por ano, em quais bairros, com qual orçamento. Não sabemos quanto Itapema gasta por ano com arborização, porque o Portal da Transparência não separa essa rubrica. E fica sem resposta se a cidade vai adotar o espaço árvore da lei estadual nas calçadas de loteamento novo, que é o ponto em que uma regra municipal mudaria o número do próximo Censo. O IBGE também não publica esse recorte por bairro, então não dá para dizer quais ruas de Itapema puxam a média para baixo.
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Os números que importam

Outros jeitos de ler

Modo de Leitura · formato original

O resumo de 30 segundos está no topo e a versão completa é o texto acima. Aqui ficam as três leituras da casa sobre o mesmo assunto.

Clara, a otimista

Tem um lado bom nesse número feio: ele é fácil de melhorar. Árvore de calçada é das intervenções mais baratas que uma prefeitura faz. Não precisa de licitação de obra, não para trânsito por meses e o resultado aparece em poucos anos. A ação do Várzea, em junho, já mostrou que dá para fazer com parceria, sem que a conta caia toda no orçamento.

E a cidade tem o argumento pronto. Itapema vende sombra, verão e caminhada na orla. Rua arborizada baixa a temperatura, segura água de chuva e valoriza imóvel, que aqui é o assunto preferido de todo mundo. Quem planta hoje está mexendo no cartão-postal de 2035.

Seu Prudêncio, o criterioso

Merece atenção a distância para Balneário Camboriú. Quarenta pontos entre cidades coladas, com o mesmo clima e o mesmo tipo de solo, não se explica por natureza: explica-se por escolha de projeto de rua feita ao longo de décadas. Vale acompanhar se o loteamento novo de Itapema está saindo com espaço de plantio na calçada ou se sai com calçada cimentada de muro a muro.

Uma sugestão útil, e barata: publicar o inventário das árvores existentes. É o primeiro instrumento que a lei estadual cita, custa trabalho de campo e planilha, e sem ele qualquer meta de plantio vira promessa sem régua. Some a isso a falta de rubrica separada no Portal da Transparência: não dá para cobrar resultado de um gasto que ninguém consegue ver.

Dito isso, o quadro tem um ponto a favor que não se deve perder de vista. A cidade já tem estrutura ambiental própria, a FAACI, e já demonstrou que consegue mobilizar empresa, associação de bairro e clube de serviço numa ação de plantio. A engrenagem existe. O que falta é plano escrito para ela girar o ano inteiro, e isso está ao alcance.

Caco, o sarcástico

Itapema tem metade do território dentro de refúgio de vida silvestre e sete em cada dez moradores que não veem uma árvore ao sair de casa. É a cidade com mais mata e menos sombra do Brasil, provavelmente.

A lei estadual chegou em julho para resolver. Ela diz que o Estado é agente indutor e que o plano municipal existe quando o município instituir. Ou seja, a lei induz e o município decide. Nesse esquema, a árvore fica esperando alguém tomar a iniciativa.

Mas tudo bem. Enquanto isso a gente caminha na orla, que tem palmeira, e volta para casa pela rua sem nenhuma, no sol das duas da tarde. Tá quente, mas é litoral.

Fontes: os números de moradores por existência de árvores na rua saem da tabela 10053 do SIDRA, do Censo Demográfico 2022 do IBGE, resultado da Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios. Consultamos a tabela pela API pública do IBGE em 27 de setembro de 2026, na variável "Moradores em domicílios particulares permanentes ocupados em setores censitários selecionados", com o total de esgotamento sanitário e as categorias de arborização, para Itapema, Porto Belo, Bombinhas, Balneário Camboriú, Camboriú, Tijucas, Navegantes, Santa Catarina e Brasil. Os valores absolutos de Itapema são 49.983 sem árvores, 12.598 com uma ou duas, 4.366 com três ou quatro e 6.543 com cinco ou mais, num total de 73.490. A população de 75.940 moradores em 2022 está na tabela 4709 do mesmo Censo. Todos os percentuais, as diferenças em pontos e a cobertura de 96,8% são conta nossa sobre esses valores. O texto da Lei nº 20.045, de 29 de julho de 2026, que institui a Política Estadual de Arborização Urbana, a autoria do deputado Marquito, a tramitação como PL 0039/2025, a definição de espaço árvore do artigo 2º, o artigo 7º sobre os planos de arborização e o artigo 9º sobre o Estado como agente indutor estão no portal de legislação da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, que abrimos e lemos por inteiro. A divulgação dos dados catarinenses pela Assembleia está em Nova lei busca ampliar arborização urbana em Santa Catarina, da Rádio Alesc, de 23 de setembro de 2026. O plantio de 250 mudas e a distribuição de cerca de 400 árvores no bairro Várzea em 20 de junho estão em Itapema promove ação ambiental com plantio de 250 mudas e distribuição gratuita de árvores frutíferas, da Prefeitura de Itapema, de 16 de junho de 2026. A informação de que metade do município está dentro do Refúgio de Vida Silvestre foi publicada por nós em Itapema publica o passo a passo para construir dentro do Refúgio de Vida Silvestre, de 20 de setembro de 2026. A ausência de plano municipal de arborização e de inventário é registro do que procuramos e não encontramos nos sites oficiais nesta data, não afirmação de que não existam.

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