Itapema · Poder PúblicoO gasto com pessoal de Itapema cresceu 20,12% em um ano, mais rápido que a receita, e a audiência que explica as contas é nesta segunda
A série de Itapema, relatório por relatório.
Porto Belo e Balneário Camboriú soltaram nesta segunda, 28 de setembro, o Relatório de Gestão Fiscal do segundo quadrimestre. Com os dois, fecharam as quatro prefeituras da nossa faixa de litoral, e a comparação passou a ser possível. Abrimos os quatro documentos. Dividindo a despesa com pessoal pela população, Itapema gasta R$ 3.685 por morador, o menor dos quatro, contra R$ 5.172 de Balneário Camboriú. Na fatia da receita, que é o que a lei cobra, a ordem se inverte: Balneário Camboriú está em 48,28%, a R$ 5,3 milhões do limite de alerta, Bombinhas em 46,76%, Itapema em 44,23% e Porto Belo em 36,86%. Nenhuma das quatro passou de limite nenhum, e a comparação lado a lado é conta nossa.
Em 30 segundos · Modo de Leitura, formato original Santa Informa
Toda prefeitura publica as contas três vezes por ano.
O papel se chama Relatório de Gestão Fiscal.
Ele diz quanto a cidade gastou com pessoal.
O período é de setembro de 2025 a agosto de 2026.
Quatro cidades daqui publicaram em seis dias.
Itapema em 23, Bombinhas em 24, Porto Belo e Balneário Camboriú em 28 de setembro.
Nós abrimos os quatro e pusemos lado a lado.
Primeiro, o gasto por morador.
Itapema: R$ 3.685.
Porto Belo: R$ 4.867.
Bombinhas: R$ 5.014.
Balneário Camboriú: R$ 5.172.
Itapema é a que menos gasta por morador.
Essa divisão é conta nossa.
Depois, a fatia da receita.
É esse número que a lei cobra.
Balneário Camboriú: 48,28%.
Bombinhas: 46,76%.
Itapema: 44,23%.
Porto Belo: 36,86%.
O teto da lei é 54%.
Antes dele vem um aviso, o alerta, em 48,6%.
Balneário Camboriú está a 0,32 ponto do alerta.
Em dinheiro, R$ 5,3 milhões.
Bombinhas está a 1,84 ponto, ou R$ 5,9 milhões.
Itapema está a 4,37 pontos, ou R$ 32,3 milhões.
Porto Belo está a 11,74 pontos, ou R$ 50,5 milhões.
Nenhuma das quatro estourou nada.
Um cuidado na leitura.
Bombinhas publica o resumo somando prefeitura e Câmara.
Esse número é 48,42%, mas o teto dele é outro, 60%.
Para comparar igual, usamos só a prefeitura nas quatro.
Poder PúblicoPublicada em Redação Santa Informa

A Lei de Responsabilidade Fiscal obriga toda prefeitura a publicar, três vezes por ano, um relatório dizendo quanto gastou com pessoal nos doze meses anteriores. As quatro cidades da faixa de litoral que a gente cobre publicaram o relatório do segundo quadrimestre de 2026 em seis dias: Itapema em 23 de setembro, Bombinhas em 24, Porto Belo e Balneário Camboriú em 28 de setembro. Os dois últimos saíram nesta segunda, e é por eles que o quadro fechou. Abrimos os quatro documentos e montamos a comparação, que não sai pronta em lugar nenhum.
Pegamos a despesa total com pessoal do Executivo de cada cidade e dividimos pela população que o IBGE estima para 2026. Itapema, com 88.842 moradores e R$ 327,4 milhões de folha, fica em R$ 3.685 por morador. Porto Belo fica em R$ 4.867, Bombinhas em R$ 5.014 e Balneário Camboriú em R$ 5.172, que é 40% acima de Itapema. A divisão é nossa e serve de régua, não de julgamento: cidade pequena precisa manter secretaria, escola e posto de saúde do mesmo jeito que cidade grande, e em Bombinhas e Porto Belo a população de veraneio, que não entra no censo, usa o serviço pago por essa folha.
A conta que a lei cobra é outra: quanto da receita corrente líquida vai para pessoal. Aí a ordem muda. Balneário Camboriú está em 48,28%, Bombinhas em 46,76%, Itapema em 44,23% e Porto Belo em 36,86%. O teto do Executivo é 54%, e antes dele existem dois avisos, o prudencial, em 51,3%, e o de alerta, em 48,6%. Nenhuma das quatro passou de nenhum dos três. Mas a folga é bem diferente. Balneário Camboriú está a 0,32 ponto do alerta, o que em dinheiro dá R$ 5.343.636,18. Bombinhas está a 1,84 ponto, ou R$ 5,9 milhões. Itapema está a 4,37 pontos, ou R$ 32,3 milhões. Porto Belo está a 11,74 pontos, ou R$ 50,5 milhões, a maior sobra das quatro.
Bombinhas publica o resumo do relatório somando prefeitura e Câmara. Nesse formato o número aparece como 48,42%, e ele vem com outro teto, de 60%, porque é a conta da cidade inteira. As outras três publicam só o Executivo, com teto de 54%. Quem olhar rápido vai comparar 48,42% de Bombinhas com 44,23% de Itapema e errar, porque são réguas diferentes. Fomos ao anexo detalhado de Bombinhas e usamos o número do Executivo, 46,76%, que é o que se compara com os outros três.
O resumo de 30 segundos está no topo e a versão completa é o texto acima. Aqui ficam as três leituras da casa sobre o mesmo assunto.
Clara, a otimista
Tem uma notícia boa escondida nessa tabela: as quatro cidades estão abaixo do teto e abaixo do alerta. Isso não é pouco. Muita prefeitura brasileira do tamanho dessas está discutindo corte de gente neste momento, e aqui nenhuma das quatro precisa dessa conversa agora.
E dá gosto ver Itapema no lugar em que está. A cidade cresceu 55% em onze anos, contratou, abriu escola, abriu posto, e mesmo assim gasta menos por morador que as três vizinhas. Quem mora aqui está recebendo serviço público sem pagar o preço de folha mais caro da região.
Seu Prudêncio, o criterioso
Merece atenção o caso de Balneário Camboriú. Zero vírgula trinta e dois ponto percentual é uma distância curta para um indicador que se move com reajuste, com concurso e com a receita de um quadrimestre. Bater no alerta não é castigo, é só um aviso formal que aparece no relatório, mas ele acende luz para quem empresta dinheiro e para quem analisa convênio. Vale acompanhar o relatório de dezembro.
Vale acompanhar também o número de Itapema, que subiu de 43,26% em agosto do ano passado para 44,23% agora, como mostramos na semana passada. É movimento pequeno, e a folga de R$ 32,3 milhões até o alerta é confortável. Só que a receita de uma cidade de praia depende de temporada, e percentual com denominador instável merece leitura frequente, não anual.
Dito isso, o quadro geral é bom. Quatro prefeituras vizinhas dentro do limite, com os documentos publicados no prazo e no lugar certo, é exatamente o que a lei pede. E publicar em seis dias, todas, facilita a vida de quem quer comparar. Isso conta a favor.
Caco, o sarcástico
Descobri que dá para ler quatro relatórios fiscais numa tarde. Não recomendo para ninguém, mas dá. São PDFs de duas a quarenta e sete páginas, com colunas que nascem numa folha e morrem na outra, e cada prefeitura escolhe um formato diferente só para manter o mistério.
O melhor é que Bombinhas publica o resumo com um teto de 60% e as vizinhas com 54%. Você compara os dois e conclui qualquer coisa. É transparência no modo difícil: está tudo lá, boa sorte.
No fim é um quadro tranquilo. Ninguém estourou nada, ninguém vai fechar. Só Balneário Camboriú, que vive na ponta de tudo por aqui, continua na ponta também disso.
Fontes: o fato novo são os dois últimos relatórios, publicados em 28 de setembro de 2026 no Diário Oficial dos Municípios de Santa Catarina: o Anexo 6 do Relatório de Gestão Fiscal de Porto Belo, com a receita corrente líquida, a despesa total com pessoal e os três limites, confirmado no Anexo 1 da mesma prefeitura, e o Relatório de Gestão Fiscal do segundo quadrimestre de Balneário Camboriú. Os outros dois são o relatório de Itapema, republicado em 23 de setembro, e o caderno de contabilidade de Bombinhas de 24 de setembro, de onde saem tanto o número consolidado de 48,42% quanto o do Executivo, 46,76%. A população de cada cidade é a estimativa de 2026 do IBGE, tabela 6579. O gasto por morador, as folgas em pontos percentuais e a comparação entre as quatro cidades são contas nossas. Sobre o mesmo assunto em Itapema, veja a série dos quatro últimos relatórios da cidade e a despesa corrente que passou de 97% da receita em agosto. Para comparar receita, e não despesa, veja o orçamento de 2027 de Porto Belo ao lado do de Itapema.
Itapema · Poder PúblicoA série de Itapema, relatório por relatório.
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Porto Belo · Poder PúblicoA mesma comparação, do lado da receita.