Itapema · Poder PúblicoItapema quer trocar o teto único de R$ 57,2 mil das viagens de delegação por quatro faixas de até R$ 120 mil, e o texto nasceu na segunda para ser votado nesta terça
O projeto que virou o 35º pedido de urgência do ano.
Abrimos uma a uma as fichas de todos os pedidos de urgência protocolados na Câmara de Itapema neste ano. O Executivo fez 37 e a Casa aprovou os 37, sem nenhuma derrota. Os vereadores fizeram 32 pedidos próprios, e desses 4 foram rejeitados em plenário. Em 34 dos 37 casos do Executivo, o texto foi protocolado num dia e votado no dia seguinte. Essa contagem não existe pronta em lugar nenhum, e foi feita aqui.
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Projeto de lei normalmente passa pelas comissões antes do voto.
Existe um atalho legal para pular essa fila.
Chama-se pedido de urgência.
Ele precisa do voto da maioria do plenário para valer.
Passando, o projeto é lido, discutido e votado na mesma noite.
Nós abrimos a ficha de cada pedido feito em 2026.
A Prefeitura fez 37 pedidos.
A Câmara aprovou todos os 37.
Nenhum foi rejeitado.
Em 2025 tinham sido 27 pedidos.
Desses, 25 aprovados, 1 retirado e 1 sem votação.
Os vereadores também pedem urgência.
Fizeram 32 pedidos neste ano.
24 foram aprovados.
4 foram rejeitados em plenário.
1 foi retirado e 3 esperam agenda.
Aprovar todos não quer dizer votar unido.
13 dos 37 tiveram pelo menos um voto contrário.
O mais apertado foi 6 a 5, em abril.
Esse virou a Lei 4939, quatro dias depois de nascer.
Somados, foram 39 votos contrários nos 37 pedidos.
O ritmo também é dado.
34 dos 37 foram votados no dia seguinte ao protocolo.
O padrão é protocolar na segunda e votar na terça.
Um projeto recebeu urgência duas vezes.
É o PL 482/2026, em julho e em setembro.
Na sessão de 29 de setembro foram três pedidos de uma vez.
Um deles era o teto novo das diárias de delegação.
Todos passaram.
Poder PúblicoPublicada em Redação Santa Informa

O caminho normal de um projeto de lei em Itapema tem paradas. Ele é lido numa sessão, vai para as comissões, ganha parecer e só então volta ao plenário para ser votado. Existe um atalho previsto em regra, o pedido de urgência, que pula essa fila: aprovado pela maioria dos vereadores presentes, o projeto é lido, discutido e votado na mesma noite. A própria Câmara explica assim, no aviso da 31ª sessão: a votação só acontece se o pedido de urgência receber voto favorável da maioria do plenário.
Nós fomos contar quantas vezes esse atalho foi usado neste ano, e o que aconteceu com cada pedido. Abrimos a ficha de todos, uma por uma, no sistema da Casa.
O Executivo protocolou 37 pedidos de urgência em 2026, o último deles na noite de 29 de setembro. A Câmara aprovou todos os 37. Nenhum foi rejeitado, nenhum foi retirado, nenhum ficou sem votação. No ano passado, primeiro da gestão, tinham sido 27 pedidos: 25 aprovados, 1 retirado e 1 que nunca chegou ao plenário. Faltando um trimestre para o ano fechar, 2026 já tem dez pedidos a mais que 2025 inteiro.
O placar conta uma história mais fina. Em 13 dos 37 pedidos houve pelo menos um voto contrário, e somados dão 39 votos contra. O mais apertado foi em 14 de abril, quando a urgência do Projeto de Lei 249/2026 passou por 6 a 5, com uma cadeira ausente. Esse projeto virou a Lei Ordinária 4.939, sancionada em 17 de abril, quatro dias depois de ter sido criado. Nos pedidos dos próprios vereadores a conta é outra: foram 32 em 2026, com 24 aprovados, 1 retirado, 3 esperando agenda e 4 rejeitados em plenário, por 3 a 9, 4 a 8, 3 a 8 e 5 a 7.
O ritmo aparece nas datas. Em 34 dos 37 pedidos do Executivo, a data de criação é o dia anterior ao da sessão que votou. Na prática é protocolo na segunda à tarde e voto na terça à noite. Só três fugiram disso, todos no começo do ano. Houve ainda um caso de projeto que recebeu urgência duas vezes, o PL 482/2026, em 13 de julho e de novo em 28 de setembro. Na sessão de 29 de setembro foram três pedidos de uma vez, entre eles o do teto escalonado das diárias de delegação, que contamos aqui na véspera e que passou por 11 a 0.
O resumo de 30 segundos está no topo e a versão completa é o texto acima. Aqui ficam as três leituras da casa sobre o mesmo assunto.
Clara, a otimista
Tem uma coisa boa escondida nesses números, e é a razão de esta matéria existir: a Câmara de Itapema publica tudo. Data de criação, sessão, placar, nome e voto de cada vereador, trâmite hora a hora. Cidade nenhuma é obrigada a abrir tanto assim, e muita cidade grande não abre.
E olha os 4 pedidos rejeitados. Quando o plenário quer barrar uma urgência, ele barra. O instrumento existe, funciona, e a Casa mostra que sabe dizer não quando decide dizer.
Seu Prudêncio, o criterioso
Merece atenção o encaixe de 34 dos 37 pedidos no mesmo par de dias, segunda e terça. Urgência é instrumento de exceção, pensado para o caso que não espera. Quando ela aparece quase sempre no mesmo intervalo do calendário, vale perguntar se estamos diante de emergências ou de um jeito de trabalhar que virou rotina.
Vale acompanhar também o efeito prático disso para quem mora aqui. Projeto que passa por comissão tem prazo de parecer, e nesse prazo cabe o morador ler o texto, procurar um vereador e usar a Tribuna do Povo. Votado em 24 horas, esse tempo não existe. Uma sugestão útil: a ficha do pedido poderia trazer um campo curto com o motivo da pressa, o que já resolveria metade da dúvida sem custo nenhum para a Casa.
Dito isso, o essencial está no lugar. O atalho é legal, depende do voto da maioria e não passa sem plenário. Em 13 vezes vereadores votaram contra e ficaram registrados com nome e voto, e em quatro pedidos de colegas a urgência caiu. O controle existe e está funcionando à vista de todo mundo.
Caco, o sarcástico
Trinta e sete pedidos de urgência, trinta e sete aprovados. Esse é o tipo de aproveitamento que atacante nenhum do futebol amador de Itapema vai alcançar nesta temporada.
Descobri também que o segredo da urgência é o calendário. Aparentemente o improviso do município acontece sempre na segunda-feira à tarde. Terça de manhã, nunca. Quinta, jamais. É uma emergência muito bem organizada.
No fim eu nem tenho do que reclamar. A Câmara me deu 37 fichas com data, placar e nome de quem votou o quê, de graça e sem pedir cadastro. Reclamar de transparência seria ingratidão, então vou só deixar o número aqui e ir tomar um café.
Fontes: a contagem saiu da busca de proposituras da Câmara de Vereadores de Itapema, tipo Pedido de Urgência do Executivo, ano de 2026, e da mesma busca para 2025. Cada um dos 37 pedidos deste ano teve a ficha aberta individualmente para conferir data de criação, sessão de votação e placar, como nesta do Pedido de Urgência do Executivo 35/2026, ligado ao projeto das diárias. Os pedidos partidos de vereadores estão na busca do tipo Pedido de Urgência, e os quatro rejeitados foram conferidos um a um. O placar de 6 a 5 e a Lei Ordinária 4.939 estão na ficha do Projeto de Lei Ordinária 249/2026, e as duas urgências do mesmo texto na ficha do Projeto de Lei Ordinária 482/2026. A explicação de como o regime de urgência funciona é da própria Casa, no aviso da 31ª Sessão Ordinária, que também traz a justificativa da Prefeitura para o projeto das diárias. As somas, os cruzamentos e as médias de dias são contas nossas. Sobre o mesmo assunto, veja o projeto das diárias que passou com urgência na terça, as 83 listas de presença da Câmara que somamos em setembro e a sessão que aprovou sete matérias numa noite só.
Itapema · Poder PúblicoO projeto que virou o 35º pedido de urgência do ano.
Itapema · Poder PúblicoA mesma régua, aplicada à presença.
Itapema · Poder PúblicoComo uma sessão inteira cabe numa noite.